Kigali, 15/05/26 – A escolha de Luanda para acolher a Cimeira Financeira de África (AFIS), em Novembro do corrente ano, constitui um sinal de confiança internacional nas reformas económicas em curso no país, afirmou esta quinta-feira, em Kigali, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Numa intervenção dirigida ao Conselho de Administração da Cimeira da Indústria Financeira Africana (AFIS, na sigla inglesa), o governante sublinhou que a escolha de Angola marca um voto de confiança internacional nas reformas económicas em curso no país e sinaliza a ascensão de Luanda como um polo financeiro emergente no continente.
A escolha da capital angolana, Luanda, para acolher em Novembro a AFIS foi recebida pelo Governo como "um sinal de confiança e reconhecimento da importância de aproximar os centros financeiros das regiões de crescimento emergente do continente", acrescentou.
O governante frisou que a Cimeira será uma oportunidade para promover o diálogo entre Governos, instituições financeiras e investidores internacionais, fomentar parcerias em sectores prioritários como a energia, agricultura, indústria e economia digital, e contribuir activamente para os objectivos da integração económica africana.
"Mais do que um simples evento, queremos que seja uma demonstração de confiança no futuro e na capacidade do continente em construir os seus próprios mecanismos de crescimento sustentável e inclusivo", afirmou José de Lima Massano.
O Governo angolano, destacou, ambiciona que Luanda sirva de “plataforma para resultados concretos, para a criação de redes de alto nível e para a geração de novas oportunidades para África".
“Luanda está pronta para receber AFIS e os seus parceiros”, frisou José de Lima Massano, enaltecendo o "profundo processo de transformação económica e institucional" que Angola atravessa.
Reformas
Referindo-se às reformas em implementação, o chefe da Equipa Económica mencionou, entre outras, a simplificação de procedimentos administrativos, a melhoria dos mecanismos de licenciamento e o reforço das garantias legais para investidores.
Destacou ainda as "extensas reformas no mercado cambial, incluindo a abertura da conta de capital", que liberalizaram significativamente os fluxos financeiros transfronteiriços.
Outro marco importante apontado foi o processo de privatizações ou a abertura de capital a investidores privados de mais de 100 empresas, um movimento que o governante considera essencial para dinamizar a economia nacional.
O ministro de Estado fez alusão aos resultados das reformas que começam a aparecer, com o sector não petrolífero a crescer mais de 5% ao ano nos últimos dois anos, o melhor desempenho da última década e representa actualmente cerca de 86% da economia nacional.
Para José de Lima Massano, estes números demonstram que "a diversificação económica é uma realidade".
O Executivo angolano tem apostado no investimento em infraestruturas estratégicas, designadamente no abastecimento de água, energia, conectividade digital, estradas, caminhos-de-ferro, portos, aeroportos e corredores logísticos.
A ambição é clara: "estabelecer as bases necessárias para acelerar a actividade produtiva, reduzir os custos operacionais das empresas e ligar a produção aos principais centros de consumo", concluiu.
Contactos institucionais e empresariais
O ministro de Estado para a Coordenação Económica, que participa desde quinta-feira, em representação do Presidente da República, João Lourenço, no Africa CEO Forum 2026, em Kigali, Rwanda, desenvolve, à margem do evento, uma intensa agenda de contactos institucionais e empresariais com grupos financeiros e investidores internacionais interessados nas oportunidades económicas de Angola.
Entre as audiências realizadas esta quinta-feira destacam-se encontros com o director executivo para África da DP World, Mohammed Akoojee, com o presidente da Schneider Electric, Jean-Pascal Tricoire.
A agenda incluiu igualmente reuniões com o presidente e CEO da Africa Global Logistics (AGL), Philippe Labonne, bem como encontros com Director para Desenvolvimento de Negócio para África e Médio Oriente, Thierry Cloutet da Airbus, presidente do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África, Abdullah Kh. Almusaidbeeh, e o vice presidente para África Austral e oriental da VISA, Michael Berner.
A edição de 2026 do Africa CEO Forum decorre sob o lema “The Scale Imperative: Why Africa Must Embrace Shared Ownership” (O Imperativo da Escala: Porque Razão África Deve Abraçar a Propriedade Partilhada) e reúne cerca de 2.500 participantes provenientes de aproximadamente 75 países.