• Massano desafia empresários a liderarem construção da indústria marítima nacional


    Moçâmedes, 25/06/26 - O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, desafiou hoje, quinta-feira, empresários nacionais e investidores internacionais a assumirem o pioneirismo na construção de uma verdadeira indústria marítima nacional, capaz de gerar riqueza, criar emprego e transformar o potencial do mar num pilar da diversificação da economia.

    O desafio foi lançado na abertura da Conferência Nacional sobre o Trabalho Marítimo, que decorre em Moçâmedes, província do Namibe, e coincide com as celebrações do Dia Internacional do Trabalhador Marítimo.

    Na ocasião, o governante defendeu que a expansão do mercado de trabalho marítimo e das indústrias de apoio exige uma visão mais ampla da economia azul, que vá além da pesca e do transporte de carga, aproveitando toda a cadeia de valor associada ao mar.

    José de Lima Massano salientou que Angola reúne condições necessárias para afirmar o sector marítimo como um dos pilares da diversificação económica, graças aos cerca de 1.650 quilómetros de costa atlântica, aos portos comerciais estratégicos e ao vasto potencial pesqueiro, energético e logístico.

    Reconheceu, contudo, que o sector continua aquém das potencialidades que o país oferece.

    Sublinhou que o sector tem registado uma evolução positiva, marcada pela modernização das infra-estruturas portuárias, pelo aumento do volume de carga movimentada e pelo crescimento da actividade pesqueira.

    Acrescentou que estes avanços acompanham o desempenho recente da economia nacional, que registou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,32 por cento no primeiro trimestre deste ano, enquanto o sector não petrolífero expandiu-se acima de seis por cento.

    Segundo o ministro de Estado, actividades como a construção e reparação naval, o fabrico de equipamentos, peças e acessórios, os artefactos de pesca e os serviços especializados permanecem pouco desenvolvidas, mantendo o país excessivamente dependente da importação de equipamentos e limitando a geração de valor acrescentado, a criação de emprego qualificado e a capacidade de inovação.

    “Este é um desafio nacional que devemos assumir com ambição, visão estratégica e sentido de futuro. Não basta explorar os recursos do mar, é necessário transformar esse potencial em indústria, inovação e conhecimento", afirmou Massano, referindo-se também às novas oportunidades que se abrem para que os jovens angolanos participem activamente na transformação económica do país.

    Defendeu, por isso, o reforço da formação e certificação dos profissionais marítimos, a promoção da aquicultura, o estímulo à investigação científica e a criação de condições para o surgimento de novos negócios ligados à economia azul.

    Sustentou que a expansão do sector exige igualmente o desenvolvimento de toda a cadeia de valor marítima, apelando ao empresariado nacional e aos investidores internacionais para assumirem um papel pioneiro na criação de indústrias de apoio.

    “Precisamos de construir uma verdadeira indústria marítima nacional, capaz de contribuir de forma crescente para a criação de riqueza, de emprego e para a prosperidade dos angolanos”, enfatizou.

    José de Lima Massano considerou ainda que a valorização do trabalho marítimo deve ser encarada não apenas numa perspectiva laboral, mas também como uma questão económica, industrial, tecnológica e de soberania nacional.

    O governante destacou, por outro lado, a recente entrada em vigor, em Angola, da Convenção do Trabalho Marítimo de 2006 (MLC 2006), considerando que o instrumento reforça a protecção dos trabalhadores do sector e alinha o país com os mais elevados padrões internacionais de qualificação profissional, segurança e dignidade laboral.

    “Neste Dia Internacional do Trabalhar Marítimo rendemos homenagem a todos os profissionais do mar pelo seu contributo para a economia e para o funcionamento das nossas sociedades”, realçou.

    A Conferência Nacional sobre o Trabalho Marítimo prossegue até sábado, sob o lema "Trabalho Marítimo em Angola: Reflexões, Desafios e Perspectivas", reunindo especialistas, académicos, representantes institucionais, profissionais e empresários para debater os desafios, as oportunidades e as perspectivas do trabalho marítimo em Angola, bem como o contributo do sector para a diversificação da economia nacional.